segunda-feira, janeiro 23, 2006

Domingo eleito

A vegetação rasteira fustigava-lhe as pernas, colando-se aos pelos em cheiro terroso. Aumentou a passada, respirou profundamente, aglutinando o ar em coisa rarefeita, tornando-lhe os alvéolos gritantes até lhe deixar os olhos secos em meia posição de persiana.
Tropeçou e caiu de borco numa composição inumana e, deixou-se estar assim por um tempo que deixou de perseguir. Era-lhe indiferente agora, que tinha baixo quase todas as interferências mentais e, ficou de costas inerte depois da meia volta lenta sobre si.
No fundo do olho rios brancos de espuma volteavam libertos no azul.
E por ali ficou de mãos geladas como o mar de Norte, absorto.

8 comentários:

  1. "aglutinando o ar em coisa rarefeita"
    OUTSTANDING!

    ad glutinare
    rarefactu
    ora s'adensa, ora s'esfuma...

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  2. pois...
    como tudo na vida,ora s'adensa, ora s'esfuma...

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  3. Ai d´este viver aqui neste blog descrito...;)
    Um beijo JP* ;)

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  4. Dias de canto negro... dias sem canto, na maior parte das vezes... dias de merda...

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  5. é mesmo palavrinhas, e hoje foi uma dessas noites de merda, que os meus dias ás vezes são noites, onde a miséria humana nos faz gostar de tropeçar nos próprios pés.

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  6. JP. pudera quém é que não fica absorto com tanta impureza feito pureza!!! Um beijinho

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  7. vim aqui pr'a te dizer
    entre um pedal e o outro
    sempre que venho aqui ler
    saio daqui todo rôto

    que versejar engraçado
    que prosa de destroçar
    que sentimento, que fado
    que lindo o teu falar

    faz de conta que te vi
    e que te dei um abraço
    eu vou pensar no que li
    quando puder aqui passo

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  8. Cic_lista,daqui Roger.
    Cambio
    ;-)

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