segunda-feira, outubro 08, 2018


Aviso á navegação, às histerias de massa, cinismos e afins.
Ao contrário do que é suposto, eu parto quase sempre do princípio de que, até prova em contrário são todos culpados. Por isso não fui para advocacia, nem para freira ou fiz qualquer pacto com o demónio.
Não tenho heróis, apenas pessoas das quais gosto muito ou não gosto nada.
Ocupar cargos “poderosos” ganhar medalhas, ganhar mais do que eu, estar rodeado de serviçais lambedores, ou fãs histéricos, aparentar a felicidade inatingível, viajar em lugar executivo e ou comprar Chanel para mim é pro cú - e nunca sofri uma violação porque tenho massa muscular suficiente para me defender, mas já sofri outras formas de abuso que a maioria desconhece, e que para o caso como diz a outra agora não interessa nada.

 Ou seja, em vernáculo comum, estou-me a cagar.

As pessoas, repito, as pessoas têm todo um lado obscuro e primitivo, mais ou menos disfarçado que numa ou noutra circunstância vem ao de cima. Passe apenas por dizer mal do gajo/a ao lado, ou a matar animais de carro em alta velocidade só porque sim, ou através de “qualquer efeito nefasto da ingestão de gasóleo agrícola” satisfazer o seu lado sexual ou violento com quem quer que seja.
Publicar fotos fofinhas de animais negligenciados, e logo a seguir acharem que a “gaja” estava a pedi-las apenas porque estava a rir-se, e como tal existia toda a legitimidade para levar no cú do pretenso “herói” é no mínimo aberrante, assustador, demenciado e prova factual de que os valores morais deixaram de existir. Especialmente depois de se terem insurgido conta os violadores do Porto, pesando embora o facto de terem ido para casa com uma repreensão por escrito, porque a piquena estava de mini saia e trouxe ao de cima a testosterona que existia e um homem não é de ferro…

Resumindo, andei vários dias a pensar se valeria o tempo perdido em vos estar a escrever isto, até tinha jurado que iria passar de fininho sobre o “não assunto”, mas receber e ler apelos sobre, tirou-me do sério.
Por tudo isto façam –me o favor de não me enviar por mensagem privada ou outra, qualquer apelo do género vamos salvar a honra do nosso herói nacional, e pensem apenas no que vos foi tentado ensinar na escola e em casa, sobre a empatia, os falsos valores e outros quejandos
.
E não me venham com teorias de merda absurdas, tipo “senão quiseres ler ou estás no direito de me desamigares”, porque isso já eu sei e não preciso da vossa permissão para nada.
Tomem as dores de quem morre de fome em agonia, de quem é violado e torturado diariamente em crimes de guerra ou outros, de massas populacionais forçadas a sobreviver e a deslocar-se em miseráveis e nem imagináveis condições, e chorem, porque sinceramente neste momento nem sequer sou capaz de ter o cinismo para vos dizer sejam felizes.

Joana Pestana
8/10/2018

sexta-feira, dezembro 29, 2017


Este ano que se agoirava uma quase perfeita repetição dos anteriores, afinal não foi.
Morreu sempre de fora e gente de dentro e, gente que nos morreu cá dentro.

O crescimento e reconhecimento dos erros e das trapalhadas emocionais que criamos dentro de um círculo mágico semi opaco, não passaram de um espelho projectado das nossas expectativas. Reconhecer a própria sombra é um passo em frente directo ao híper para renovar o stock do produto de limpeza.

E porque hoje é sexta, e porque acabei de lavar todas as juntas da cozinha com a escovinha das unhas e respectiva lixivia, deixo-vos aqui um grande adeus de até para o ano. Sem pedidos estrelares de Boaventura e fé no próximo, mas secretamente a desejar que o euro milhões me reconheça capaz de gerir a quantidade de merdas que conto fazer até ao fim da vida.

p.s.
resta-me acreditar que há gente boa(mais que não seja, continuo uma naif)



J.P no ano da graça de 29/12/2017

sexta-feira, fevereiro 24, 2017



Anualmente, no período antes e depois que procede o meu nascimento, inicio uma espécie de transição meditatória sobre o que me trouxe aqui e, chego à ridícula conclusão de que não passo apenas de mais uma concepção copulatória dos meus ascendentes directos.
Não trago traços excepcionais, nem diferenças espantosas capazes de me catapultar para outros paradigmas psicadélicos fora do tempo. Mas tenho pena, confesso.
Embora grande parte tempo transite entre o não pertenço aqui e o faço parte de mais uma etapa, reconheço apenas que o tempo me traz uma dose de desconforto predatório, dificilmente controlável na presença da mesma espécie que deveria ser mais ou menos do mesmo perfil do meu mas que se revelam levemente inferiores no estadio.
Mantenho laços invisíveis, mas inquebráveis na memoria, dolorosos e reconfortantes, que me mantem de pé e estável. E faço questão de os regar de quando em vez, para que a folhagem se vá mantendo coesa e perceptível.
A decadência progressiva das células nem sempre nos dá serenidade, porque ver alêm da mascara tem vantagens e desvantagens mas, em certos casos dá-nos clareza reflexi va para eliminar já sem grande esforço várias formas materiais e genéticas de toxicidade.
Não me contento em ser seguidora.
Resumidamente e no vernáculo comum, já não tenho cu para aturar eufemismos e putas virgens.
Vamos a mais uma limpeza de “gente” que em nada contribui para o meu apaziguamento mental.
Aos restantes, as raízes continuam sólidas e de boa saúde.
Abreijos
J.P. 24 de Fevereiro de 2017

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Está na hora da limpeza do final da invernia.
Deitar fora tralhas, limpar com solução alcoólica resíduos peganhentos de merdicacas vãs que se vão acumulando ali ao canto.
E para os mais distraídos, merdicacas é tudo o que já não nos serve. Afectivamente especialmente. Oh pá mas aquele cortador tem uma cor tão gira! Tem, mas a faca faz o mesmo trabalho e serve para mais mil coisas, inclusive de raspador das tais matérias peganhentas. E as caixinhas de plástico podem vir a dar jeito. Podem, mas se não deram até agora…
E o trapinho usado serve para limpar qualquer coisa. Pode, mas se limpou até agora já foi chão que já deu uva (expressão interessante esta).
E há quanto tempo não falas de coração com o amigo X? Pergunta-me antes há quanto tempo o amigo x anda distraído com premissas faceboquianas, importantíssimas e inadiáveis.
Vai daí, vão mais alguns para o contentor e não aceito nem mais um pedido de amizade, acho uma lata do caralho, quem só me conhece de vista e mal, digamos, ou seja de todo, e foi da turma ao lado há carquejos e troca o passo, pedir amizade numa folhinha virtual, porque assim deixa lá ver o que anda esta parva a fazer, ou melhor ainda, o desplante de quem me vê quase diariamente e na maior parte das vezes tem achaques no pescoço e na língua e nem um bom dia, achar que pode entrar por aqui adentro, porque é amiga da amiga da amiga daquela que já se fez passar por amiga, e agora porque já não serve os intentos pretendidos, continua amiga porque assim sempre pode cuscar o que hipoteticamente vão dizendo sobre ela.
Get a life.


quarta-feira, dezembro 23, 2015


Sendo esta época um género de distúrbio paleolítico, em que se apaziguam tribos porque está frio e o gelo os impede de guerrear e porque se tornou normativo ouvir a Mariah Carey nos espaços comerciais, atropelando-se gente transpirada saturada antes de começar, vamos celebrar.
Compremos rifas amareladas de cabazes de escolinhas agora mudas. Saturemos os ouvidos com propostas decadentes de ajuda e autoajuda, e números onde se depositam as nossas vergonhas para centros e instituições que fazemos questão de extrapolar exorcizando fantasmas de culpa em silícios mentais.
Façamos juras arrependidas de mudança e ovação ao certo, ao justo, ao amor ao próximo, ao pacifismo, ao carpe diem e outros sujeitos incapazes e capazes de desnortear o mais pacato.
Comamos sapos, jardins e outros substratos familiares natalícios, deglutindo-os envoltos em vinho reservado tinto e perfumado de noias inqualificáveis.
Desejemos um mundo melhor, o nosso, ao redor de cada umbigo de preferência.
E como somos imortais e cada um melhor que o outro, brindemos ao peru recheado, ao bacalhau salgado e ao infeliz tronco de pão de ló que seca esquecido junto à tábua de queijos ali ao canto.
E quando o ano novo chegar e se olhar atentamente o cartão de crédito, ainda sobre o efeito nefasto de Dão, arrotemos condignamente a nossa submissa condição humana.
Boas festas to all, que é como quem diz, sintam-se à vontade para continuar a merdelejar mais 365 dias.
Joana Pestana no ano da graça de 2015, 7 graus C

quinta-feira, julho 24, 2014

a pensar que...
há dias em modo scrcoll por aí, só leio lamentos, indirectas, afirmações de desnorte e ou tentativas vãs de identidade, resilientes como afirma o tal de primeiro pequenos telhadinhos de vidro onde se escondem tantas mágoas a apontar o dedinho lá para fora.
E gente aparentemente feliz com lágrimas.
 Selfies à maneira, sorrisos rasgados de dentes brancos polidos e a sombra lá em baixo agarrada com unhas e dentes e pequenos arpões na língua a enrolar-se desesperada no feixe ocular.

Arrogam-se frases, direitos, instigam-se rebeliões comodamente sentados no sofá, e quando finalmente adormecem, foi apenas mais uma dia igual a tantos outros, masturbado-confortados por terem sido pró-activos, esta frase só me transporta para o iogurte…por acaso tenho ali um do Continente açucarado que me está a fazer olhinhos, ora já volto...

domingo, junho 29, 2014

Lido mal com meias verdades.
Lido mal com pantominices, maneirismos, fornicoques e bilhardiçes.
Gosto desta ultima palavra, é gorda, cheia de inveja, retorcida em azedume, de mãos untuosas, servientes a cheirar nas esquinas o possível drama alheio, tão mais interessante que o nosso, tão cheio de segredinhos e ganchinhos de cabelo…

Lido mal com palavras meio ditas, silêncios que nada dizem resultantes de fraqueza, de cobardia, sem fervor pela verdade, apenas esquivos no comprometimento, no credo, na amizade, do que quer que alente o ir em frente, lado a lado sem pudor de tropeçar e ser amparado.
Servis apenas.
Sem mote próprio, sem peito feito, sem certezas.
Apenas parasitas da vida alheia…

J.P.

quinta-feira, maio 15, 2014



Somos instantes
Por isso caio e levanto-me a seguir
Erro e e peço desculpa e faço por me lembrar da próxima vez
Arrisco-me, queimo-me e lambo as chagas
Amo
Brinco
Odeio
Faço as pazes, comigo e com os outros
Enraiveço-me
Aprendo e cresço
Odeio-me
E, amo-me, porque me aceito impia, humana
E acima de tudo
tolero e aceito a diferença entre os iguais.

domingo, fevereiro 23, 2014

Não me sinto um ano mais velha
Sinto-me um ano mais cansada. 
De ser explorada, abusada, enganada e ludibriada, extorquida, roubada e gozada com um cinismo que me corrói as entranhas.
Não me sinto mais velha.
Sinto-me mais amada, compreendida, responsável e liberta pelo grupo restrito a quem permito a convivência.

Não me sinto mais velha.
Sinto-me capaz de dizer não e dizer sim, e mandar à merda e dizer amo-te sem que o cérebro entre em contradição. E voltar atrás e refazer e deitar abaixo sem olhar para trás. Não permitir que me invadam e deixar que me mimem colo afecto e alma sem pudores.


Não me sinto mais velha.
Mas sinto-me mais lúcida.


E gosto-vos de maneiras diferentes, mas gosto-vos.
Obrigado pelos votos e, agradeçam ao Face a lembrança.
E, obrigado eu, por fazerem parte do meu crescimento cada vez mais crocante, mas com muito mais classe.
Abreijo-vos
Joana pestana

quinta-feira, dezembro 19, 2013

Boas festas pelo corpinho todo

Vós sabeis que eu e o tal de natal, temos uma espécie de incompatibilidade feto-pélvica que nem a ferros é passível de ver a luz...
Porém, a sugestão induzida pela musiquinha tilintilante das renas e do tchi,tchi,cthi do rodado do trenó, desperta-me aquela paz apaziguadora de quem trabalha por turnos e, adora saber que a febre das compras está quase a acabar e os familiares obrigatoriamente vão fingir que se amam forever enquanto se ofertam meias e vinho do porto a martelo.
Para quem, como eu, está de festas no meio de vísceras e sangre, um grande bem haja ao "manino jasus" e com esta me vou, deixando-vos uma musiquinha ataraxeante.

domingo, maio 19, 2013



máscaras


Ah! escorreita maldade enganchada no brilho da malícia que se prolonga insidioso, a máscara descolada de um dos cantos.
triste de quem se acha esperto ostentando a moleza do verme escondido entre as pedras e se calca ao passar…
triste constatação de saber antes e saber já…
mais um pequeno desapontamento...
mais uma realidade da pequenez da personalidade...
o adeus aos poucos do que já não faz sentido…
a máscara que te arranco devagar enquanto sangras...


quarta-feira, maio 08, 2013



sei que não é agradável ler um rol de realidade atormentada pelo défice, que, é mais aprazível à alma ver fotos de sítios onde jamais iremos, cães e gatos amorosos e declarações estereotipadas mais ou menos bacocas dependo do estado das hormonas que nos gerem nesse dia.
Mas percam só um minutinho e a seguir ide relaxar o ventre na franca bisbilhotice da página gira, gira do vizinho...

QUE PARTE É QUE AINDA NÃO PERCEBERAM?

1-Sofia Galvão, no Expresso: "Quando se gasta mais do que se tem, há défice. Quando se pede dinheiro emprestado para acudir ao défice, há dívida. Quando se continua a gastar para lá do que se pode, o défice aumenta. Quando o défice não diminui, a dívida cresce. E quando não se corrige o caminho, o ciclo torna-se infernal, alimenta-se a si próprio e destrói todo o potencial de desenvolvimento, realização e esperança."

E mais adiante: "Hoje, em Portugal, os salários e as pensões pagos pelo Estado representam mais de 90 % da colecta fiscal." (Talvez haja aqui algum exagero.)

2-Não se pode ser mais claro. Mas faltam aqui duas componentes:

a) Porque é que se gasta mais do que se tem;

b) Qual o método acertado para diminuir o défice e a dívida.

3-Não há nenhuma experiência histórica de sucesso em que se tenha conseguido pagar dívida nem diminuir défice à custa de austeridade - sobretudo se for em doses brutais (como em Portugal e na Grécia). A austeridade desenfreada só conduz a recessão, que por sua vez pede mais austeridade, que leva a mais recessão, ... etc. (a famosa espiral recessiva - em que já estamos, como já foi reconhecido por toda a gente, até pelo Presidente da República).

4-Há poucos anos, a Islândia decidiu não pagar as dívidas dos seus bancos que se tinham entregado à especulação financeira imprudente: deixaram-nos ir à falência (após interessante referendo popular, que devia fazer pensar os nossos políticos) - e hoje já estão de novo em crescimento, e a sair da crise.

5-Em 2010, para acudir à dimensão do défice, a Roménia pediu ajuda ao FMI. Face às condições impostas por este para a "ajuda" financeira, decidiu recusá-la. Resultado: desde o ano seguinte ainda não parou de crescer.

6-Em Portugal os números destes dois últimos anos são tão arrasadores que se torna suspeita a teimosia dos nossos governantes: a austeridade não baixou praticamente nada o défice, fez disparar a dívida, arrasou o emprego, devastou a economia.

A própria Europa já está generalizadamente em recessão ou crescimento nulo.

Mas ninguém quer ver.

7-Pessoalmente, tenho uma teoria para explicar esta decadência da Europa: a geração que nela está agora no poder já foi educada mais pela televisão e pelo computador do que pelos livros - e portanto são essencialmente políticos parolos, deslumbrados pelo dinheiro e pelo poder, e ignorantes acerca do humanismo - que é contudo o traço mais profundo do ser europeu -, exactamente porque não têm estatura cultural nem sentido de serviço a causas, mas apenas a interesses.

Pagaremos estes erros e equívocos com a irrelevância - que, aliás, já se começa a sentir.

8-Voltemos então às duas componentes do n.º 2. e comecemos pela primeira.

Em Portugal, não se gasta mais do que se tem por se pagar bem demais - sempre foi, aliás, ao contrário. Exceptuam-se alguns salários de topo, verdadeiramente pornográficos, que deveriam envergonhar os seus detentores. (Este é, de resto, mais um sinal da nossa parolice: salários baixos muito mais baixos do que a média europeia, salários altos muito mais altos do que a média europeia. Relação média entre o salário mais baixo e o mais alto nas empresas alemãs: um para oito; em Portugal: um para 34. Não é preciso dizer mais.)

Em Portugal gasta-se mais do que se tem porque se pagam muitas coisas (e algumas pessoas) que não deviam ser pagas. (Ver nº 10.)

9-Provado que não se combate o défice nem a dívida com a austeridade - que, pelo contrário, só os faz crescer - e que subir brutalmente os impostos provoca menos receita fiscal - pois, afinal, o défice e a dívida só se combatem com crescimento, também já se percebeu que é pelo lado da despesa que é preciso atacar o "gastar mais do que se tem" (e assim entramos na segunda componente do n.º 2.).

10-Algumas receitas simples para diminuir a despesa:

a) redução drástica dos gastos com a defesa (a Costa Rica não tem forças armadas: tem um acordo de defesa com os EUA, em caso de agressão externa. Nós já não temos colónias e a Espanha não é um inimigo. A Costa Rica é só um caso para reflexão);

b) redução drástica das empresas municipais (já sei que é o mais difícil, porque é lá que se alojam as clientelas partidárias; mas é um imperativo nacional);

c) redução drástica do número de municípios (idem);

d) redução drástica do número de deputados à AR (é uma medida pouco mais que simbólica mas por isso mesmo altamente pedagógica). E também: pagar-lhes melhor, mas exigir exclusividade (impedindo quaisquer acumulações com outros cargos);

e) redução drástica das mordomias da maioria dos cargos públicos (os governantes e os gestores das empresas públicas podem bem ir para os seus empregos nos transportes públicos - também é um sinal pedagógico. Até nisto somos parolos.);

f) redução drástica das contratações feitas pelo Estado em outsourcing (aproveite-se a massa crítica nacional; tenham paciência os grandes escritórios de advogados);

g) diminuição progressiva do número de funcionários onde já são ou em breve se tornarão excedentários (professores, por exemplo);

h) estabelecimento de tectos máximo e mínimo para os salários e pensões públicos (digamos 10000 euro e 500 euro, respectivamente, para começar);

i) simplificação fiscal e administrativa séria e não a fingir.

11-Receita para fazer disparar o crescimento:

a) restituir os subsídios e os salários em vigor em 2011, e eliminar o confisco que é a contribuição extraordinária de solidariedade;

b) baixar o IRC.

Não é preciso mais. Verão o consumo interno a subir, as falências a estancarem, o desemprego a diminuir, a economia a crescer. Poderemos então pagar, pouco a pouco, o que devemos.

12-Sozinhos somos insignificantes na Europa. Mas juntos com Espanha, Itália, Irlanda, Grécia já somos "temíveis" para os burrocratas (sic) de Bruxelas ajoelhados perante a Alemanha. Com receitas destas, não será difícil garantir-lhes que pagaremos, sim, tudo o que devemos, mas com prazos e sobretudo juros decentes (digamos 0,5% ao ano, pagos ao BCE - que pode fabricar tantos euros quantos precisar; e se isso fizer baixar a cotação do euro, até que não era mau para a economia europeia...).

P. S. - Sabiam que na Alemanha as pensões dos reformados não são propriedade do Estado e por isso são intocáveis? Está na Constituição alemã. Olhem que curioso... 

MIGUEL GRAÇA MOURA, MAESTRO

dn

segunda-feira, abril 29, 2013


E mesmo que a vida nos transforme em pedra, é favor congelar o movimento na cortina da janela que se abre e que se oferta…

(vim do espelho e a ele voltarei todas as vezes que precisar de mim)


domingo, abril 28, 2013




a pensar......o tempo de perceber que, a normalidade da minha anormalidade é mais normal que o normal que seria sugerido...

domingo, maio 06, 2012

A Ira



A ira invade-me de uma maneira menos graciosa. Não é súbita. Nascida de um roer de precedentes que abre chagas velhas no espirito. Estrangula-me aos poucos até que as células gritam invadidas de cobiça vingativa. Expandem-se gulosas. Sufocadas, subjugadas pela fachada que ostento altiva. Estou tão furiosa como calma e, isso chega a irritar-me.
Há muito tempo que não se metiam comigo assim deste modo, cínico, pernicioso, mesquinho, pouco inteligente.
Gosto...assim.
Traz ao de cima o pior que tenho. Estava a precisar de uma "luta" desonesta em que à partida o opositor ainda não percebeu que já está morto.

terça-feira, dezembro 20, 2011

2012

NÃO TE Vou DESEJAR UM FELIZ ANO NOVO.

Não vou desejar que no próximo ano encontres a paz e a felicidade permanentes. Não vou desejar que superes todas as tuas metas e venças todos os desafios, encontres alegria no amor, fiques rico e que sejas sempre a pessoa mais bonita e simpática do planeta (mas vou desejar-te saúde. Porque com a saúde não se brinca).
Este ano, quero desejar outra coisa…
Desejo que olhes para trás e vejas tudo o que aprendeste. Que te lembres de todas as pessoas que te apoiaram e quem foste em todas essas situações.
Que determines a vida que queres levar. Não é a que estás a levar agora, ou a que os teus pais querem que leves. Ou o teu parceiro(a). Ou os teus amigos. Ou a tua comunidade. Para e, pensa na vida que realmente queres ter.
Reconhece as características pessoais que não gostas e aprende a mudá-las (ou a aceitá-las). Tu podes ser uma pessoa melhor todos os dias. Por que quem tu queres ser já está dentro de ti, então, procura, insiste e não desistas.
Sim, um ano inteiro é muito pouco para tantos desejos.
Não vou desejar que 2012 seja o melhor ano de todos os anos da tua vida.
365 dias é muito pouco para todas as conquistas, todos os desafios e tudo o mais que desejas fazer, ser e ter.              
Escolhe as pessoas que te acompanharão. Aquelas que agregam, que te dão apoio em todos os momentos. Escolhe as que queres ao teu lado e querem estar ao teu lado.
Descobre o que te dá prazer e trabalha numa constante no teu dia-a-dia.
Faz o que amas e ama o que fazes.       
Então, vamos lá. Procura dentro de ti a força que precisas. Suspira fundo e arranca.
 Começa.
Agora.
A tua vida está à espera e tu não tens todo o tempo do mundo, infelizmente.
Joana Pestana

quarta-feira, novembro 09, 2011

Inconfidências II

Por três vezes na vida perguntaram-me se foi bom. O chamado banho de água fria. Está ali a malta a tentar recuperar o folego num estado que se pretende ser de semi embriaguez e tufa!
- E então, foi bom?
À segunda vez fui sincera. Ainda hoje o desgraçado deve frequentar o psiquiatra.
O meu primeiro namorado tinha a mania que era um garanhão. Não nos suportávamos de princípio. Depois, mais por birraça minha, que era assim a modos que a pata feia convencida que era muito inteligente e que não precisava de ser gira e ultra feminina para sacar um gajo que na altura era o top mais da zona, andei a montar a armadilha e o rapaz caiu.
Em casa, eu, não tinha autorização para sair, por isso era pela calada da noite que me esgueirava pela janela, fazendo a criatura estar horas à minha espera no carro, andava doidinho, dando-me uma sensação de poder indescritível.
As minhas amigas andavam de queixo caído e invejosas, porque a pata feia de cabelos crespos cortados numa espécie de bola à Boney M, que não usava vestidos ou um mero hidratante para as sardas, já tinha vinte e um anos, velhíssima, agora é que mandava no esquema.
 Antes disto eu queria era subir às árvores, remar, andar de bicicleta e palermar com as amigas (até parece um anuncio do Tampax) que já tinham todas namorado na altura.
Eu adorava não ter. Aquelas ligações que achava serem demasiado dominadoras para mim, eram prisões, peias controladoras onde estás com quem estás a que horas, amas-me, não me amas, malmequeres desfolhados em tardes mornas e corações partidos.
 Mas, estava na altura de saber o que era e como era, afinal eu era velhíssima estão lembrados decerto, dou por mim a olhar para o tecto do carro a magicar que a coisa não podia ser só assim e que estar a pensar na nicotina que pejava o tecto também não era normal, sou reportada à realidade pelo rapazola cinco minutos depois que pergunta então se foi bom.
Descobrir que o bom, seria ele, e não o acto em si, levou aí uns dez minutos a processar, foi a modos que estranho, após quase 6 meses de namoro à sexta-feira lá expliquei da maneira menos agressiva que consegui, que não, que nunca tinha sido bom pelo menos para mim que ele sofria de ejaculação precoce mas que há médicos que tratam disso e tal que continuaria a ser amiga dele mas que a nossa intimidade acabava ali obrigadinho.
O desgraçado nessa noite bateu com o carro num sinal, eu fiquei uns tempitos com um pequeno remorso, a irmã perguntou-me umas semanas depois se eu lhe tinha dito alguma coisa nessa noite, que o rapaz chegou a casa com uma batida no carro que andava estranho e de orelha murcha, agora que falo nisso não me parece ter sido só a orelha, e ainda hoje recordo o chiar das rodas do Golf GTI vermelho no empedrado da calçada ao abalar e eu ali especada a respirar que alívio pá...que alívio.
Encontrei-o depois ao longo da vida muitas vezes na rua, ele sempre com aquele ar de quem come o mundo e eu com aquele sorriso cínico de quem sabia que a parecença com os coelhos não era meramente por causa do tamanho das orelhas.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Não me fodam, pá!

Continuo a gritar que somos um bando de fracos costumes, ovelhas, porcos e vacas que pastam em pastos verdejantes como diz o Sr. Silva. Levantamos os olhinhos do chão e quem nos olha vê um brilho de felicidade uma boa aventurança que o verde raquítico do pasto reflecte nas pupilas.
Ontem depois de mais uma comunicação por altifalante à manada, em que não por mero acaso estava de serviço, e sim passo a vida no serviço a digerir falsos profetas, e sim não levo nem lá perto o ordenado base para casa, esdrúxulos mal paridos e mal formados que a educação não advêm de quantos anos andámos a passear os livros debaixo dos braços, os comentários mal se fizeram esperar que para comentários e caganças somos nós os maiores. O governo assim o governo assado, o governo frito, o governo parido vomitado cagado, o governo ladrão aldrabão, oh Salazar anda cá abaixo ver isto, dantes é que era, dantes é que coiso, agora nem p’ras férias e brinquedos, alvoraçados/as entre gargalhadas, pão com manteiga e revistas de moda e receitas da Bimby, num cacarejar absurdo e meramente produtor de saliva …
Camus escreveu:
 Existe uma parte do homem que não tolera a humilhação e o empreendimento essencial da revolta consiste em «substituir o reino da graça pelo reino da justiça». A revolta denuncia o absurdo. Mas a revolta surge mais como posição de defesa do que de ataque. Perante o absurdo, que atitude tomar? Camus imagina três possibilidades: suicidar-se fisicamente, suicidar-se metafisicamente (como a mãe de Jacques) ou manter-se no absurdo. Rejeita as duas primeiras possibilidades. «É preciso viver no absurdo. Como? Instaurando a revolta, a liberdade, a paixão. A revolta é protesto».
A inconsciência colectiva anda a corroer-me a carcaça. As manadas destrambelhadas fazem mais estragos do que é de supor. Não quero de todo que se vistam de preto carregado, nem que solucem agarrados ou que deixem de postar mais uma etiqueta afirmativa em que meia dúzia de seguida clica em “gosto”. O que eu quero é que deixem de me falar em produtividade, motivação, contenção, bonomia, assertividade, bom senso e outras merdas que a minha avozinha fez questão de me ensinar em pequenina, e que não debito inconscientemente no dia-a-dia sem fundamentações efectivas, papagueadas sem nexo só porque sim.
Não admito é que mais de uma centena de filhos da puta que gerem este país, (que nós continuamos a eleger e a aplaudir) que nem sequer se atrapalham nos corredores do Ministério, porque nem lá metem os pés, que vivem à grande e à francesa venham com falinhas mansas atirar-me com patacoadas.
Se me foderem que me beijem antes, não me atirem mais terra para a cabeça…

A estadia Parte II



Prometeram-nos uma ambulância a sério. O médico rejubilou para murchar de seguida, a dita era na realidade uma carrinha moribunda que fazia as vezes de táxi, carrinho de compras e transporte semi-funerário, que ostentava uma garrafa de gaz na parte superior da maca (?) periclitantemente enrolada num cinto de segurança que já conhecera melhores dias…
 Logo após o marroquino ter retirado papéis, telemóvel topo de gama, e outros acessórios que não me recordo, cavalheiramente dispensaram-me o lugar do morto, arrancámos à velocidade furiosa de um supersónico gaguejante, enquanto o médico fixava dormente o CD brilhante que rodopiava pendurado no espelho retrovisor, agarrado miseravelmente à rede que o separava da cabine.
O arranque, a travagem, o ziguezague contínuo, as apitadelas de dois em dois metros, o vermelho psicadélico dos sinais deixados para trás, a rasante aos passeios de levantar túnicas, rodopiar os cirwal e os xador, o cheiro quente do coentro da canela e das especiarias, enquanto freneticamente procurava o cinto, e o maldito se ria enquanto atendia o telemóvel, fez-me soltar a verborreia em francês, quando me apercebi que o gajo deixava de olhar para a frente e espalhafatosamente exibia mais um ziguezague gritando: - n'ayez pas peur que je conduis bien, et nous n'avons pas ici l'utilisation des ceintures de sécurité !  
O rádio Blaupunkt continuava na sua lamuria em marroquino e, eu já zonza finquei os pés no fundo da “ambulância”em quase pânico. O hospital da zona é militar, portanto mandaram o sinistrado para um hotel, virado para o mar, do outro lado de uma rua imensa sem passadeiras visíveis, inundada de replicadores perfeitos do suposto “bombeiro, rapaz de entregas, mecânico, ajudante de cozinha, guia”, deixando-me do lado de cá, carregada com a maca dura desinsuflada nos braços a olhar bovinamente a rua pista-carrinho-de-choques, enquanto o marroquino do lado de lá, o gajo tem asas só pode, gesticulava frenético de canelas ao ar. Ainda não vos referi que a criatura ostenta um sorriso prazeiroso com dois dentes de oiro e três cáries, mas quando fala ao telemóvel não se nota porque é daqueles de abrir e metade está em cima da boca e eu não me lembro exactamente como passei para o outro lado. Adiante…
Já no hotel e numa salinha que continuava a olhar para o mar, estava o sinistrado com ar europeu ruborizado e dorido, de amena cavaqueira com o companheiro de viagem, sentado numa cadeira a beber chazinho que faz bem aos nervos e às três costelas partidas, a rebolar os olhos da seca que era agora a mota ter que ir de reboque até Portugal e coiso, veja lá que maçada, tínhamos já combinado ir até ao Congo, que maçada, trouxeram a ambulância? que sim dizia-lhe o médico de estetoscópio em punho. Pensei de imediato certificar-me se continuávamos a ter retretes turcas por ali, mas os preenchimentos burocráticos que um dos seguranças árabes com dois metros e cento e setenta e quatro quilos me passava firmemente um a um impediram-me, seguidos de um oh Sra. Enfermeira dê já ao sinistrado um Nolotil que isto dói de certeza puseram-me de imediato a rebolar também os olhos, que maçada, não conseguiram chegar ao Congo, que maçada, estou para ver onde é que o cabrão do marroquino vai enfiar a garrafa de gaz, que maçada…