sexta-feira, agosto 18, 2006


foto de Alice Shintani

Num gesto cansado, atirou-se para a cadeira de plástico coçada. Olhei-a por cima dos óculos, afastando a guedelha teimosa.
- Queres café? Perguntei-lhe.
- Quero. Curto e sem açúcar.
- Continuas amarga gaja. Deixa-te disso. Olha que a vida azeda-nos a coisa, para nos ensinar a adoça-la.
- E tu, continuas velha.
- Mas completamente agradecida… e olha que não é assim tão fácil. E dei novo piparote na guedelha.

23 comentários:

  1. Essa do "piparote na guedelha" levou-me à saída da infância/entrada na adolescência, sentada à mesa do jantar com o meu pai a ralhar-me por alguma coisa de que a minha mãe lhe tinha feito queixas! O meu pai sempre foi o senhor que chegava a casa para ralhar com os filhos! Obrigada mãe! Bom, adiante, que isso já passou e crescer também é aprender a viver com os defeitos dos outros! São os dois uns porreiraços, embora a auto-estima da minha mãe seja um trapo velho! Cada um sabe de si! E como procuramos sempre os modelos mais fortes... eis-me em fotocópia de papaí!....

    Estava, então o meu pai a tentar por-me naquilo que, depois da pintura da minha mãe, seria "a linha" e eu, não podendo defender-me - que respeitinho é muito lindo! - ia soprando a franja, como que tentanto engolir as palavras. Invariavelmente estes "puxões de orelhas" acabavam com "e não me sopres essa franja".... não será necessário dizer que ia sempre mais uma sopradela! ;)

    Foi bom, voltar a sentar-me naquela mesa.... obrigada! ;)

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  2. De nada Pati.
    É para isso que isto serve,
    fazer-nos sentar e relembrar ;-)

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  3. Como ainda dou piparotes e sopros na franja, parece-me é que tenho de conseguir toneladas de adoçante. ;)

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  4. Ou não, Marietree.
    No teu caso( e no meu) o açucar em cana é mais recomendado
    eheheheheh ;-)

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  5. não é mesmo nada fácil Jotinha mas cá vou fazendo os possíveis por perceber tudo quanto tenho para estar agradecida! A melga encarrega-se disso... está giraça a tipa :)

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  6. Ora pois,sai à mãe está bem de ver,Bigodes.
    :-)*

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  7. A amargura é uma forma de agredir quem está à volta. Há os que são amargos e os que estão amargos.

    Não gosto da sensação de me sentir repelido por alguém amargo e ressentido, que já tem o círculo de amigos preenchido e demasiado realizada na vida para te acolher e para lhe seres gente.

    Bjs

    Joaquim

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  8. Não é das sensações mais agradáveis,lá isso é verdade Joaquim. E concordo que a amargura é uma forma diferente de agressão.Mas neste caso concreto,a amargura foi-se instalando sorrateira. Como velha amiga, tenho-me aguentado à bronca sem hipertensões
    ;-)

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  9. Há sempre a hipótese de consumir doses maciças de "adoçantes" naturais que nos entram pelos olhos dentro (e, às vezes, pela alma) para combater as azedices do destino. ;-)

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  10. Isto é que é um diálogo viperino!

    Mas gostei!

    CSD

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  11. Oh Mar, és cá das minhas!
    ;-)

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  12. Cláudia, eu não lhe chamaria viperina.
    Uma amizade como esta, que se mantêm fidedigna há mais de 25 anos, é feita de realidades e constatações cruas e objectivas.
    O efeito viperino é mais para o 3º elemento que aparecer ;-)
    E eu gostei da tua visita,criatura desaparecida

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  13. Ah...então está explicado, é de beber o café sem açucar ;)

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  14. pois está bom de ver,Vanus
    ;-)*

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  15. e se juntares, ao açúcar de cana, uma aguardentezita da mesma, umas limas e gelo moído?
    (vamos a ver se é desta que o comentário fica)

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  16. ficou ;-)
    ai que caipirinha boa, das minhas favoritas...

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  17. Talvez ela devesse deixar crescer a guedelha também.

    Parece que resulta...

    ;-)

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  18. ;-)
    tem dias amigo Old.
    (já acabaram as férias??)

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  19. Não se posso «entrar» nesta conversa, que parece que vocês se conhecem todos bem... Mas para mim a amizade é isto mesmo. Estes diálogos resmungados mas afectuosos senão nem se dariam ao trabalho de os ter.
    De resto, o café curto e sem açúcar ( não é bem o que eu gosto, gosto da chávena cheia e um pouquinho de açúcar) até podia ser, ao contrário, para equilibrar a doçura da "bebedora". Pelos vistos não era...

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  20. Minha querida Emiele
    dado que a "esplanada" está aberta ao público, todos podem e devem participar na conversa. Em modo de curiosidade, apenas duas de nós se conhecem pessoalmente.Os restantes, são amigos de longos e longos meses de cavaqueira.
    Aprendemos a conhecer na forma de escrita, pequenos tiques e manias,ás vezes uns mais evidentes que outros.
    Eu tb gosto de café cheio,mas com uma "bola" de adoçante.
    Senta-te por aqui resfastelada. A malta é rezinza mas com um humor do caraças
    E vivam as diferenças Emiele.
    Toma beijinho

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  21. JP:

    Eu prefiro um café amargo! Nos permite imaginar a doçura de algumas coisas... Um beijo.

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  22. Tais como uma bela de uma Encharcada, não é Soslayo?
    :D
    bj

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