sábado, janeiro 28, 2006

Falando em nomes


Maria, esta vai direitinha para ti.

Falando em nomes.
No Alentejo, existem duas famílias que por um acaso do destino decidiram coabitar entre si. Uns, de apelido Murcho, e outros de apelido Penetra. Que convenhamos assim, equidistantes, até não dava muito mau aspecto, embora eu não acredite muito, que não tenham sido bem enxovalhados cada um à vez ao longo da vida.
Crédulos, juntaram os trapinhos, e degeneram para os Penetra Murcho.
Coisa aliás, que o destino cruel como só ele sabe ser, assim quis.

Num dia de SAP, naquelas manhãs em que até já se está para lá de Murcho, em que se olha para os diabetes desregulados, como quem olha pela janela a rua, e se ri das tensões e razões dos malefícios do ar, capaz de engordar à má fila os mais desprevenidos, que são bem capazes depois de provocar esta dores nas cruzes, que o ar frio e depois quente, dá cabo da gente, e a minha vizinha andou a levar uma dúzia de injecções das vermelhas, sabe lá, ficou assim depois da limparem toda por dentro, sem as miudezas, quero eu dizer, e o que me diz da ferida do meu paizinho?
– Francas melhoras. Já só lá cabe uma mão.
Nunca consegui gostar do verde das escaras, nem do cheiro nauseabundo de cadáver em decomposição, nem de as sangrar até à morte. É uma coisa de pele. Digo eu.

Mas ia eu nos nomes.
Pego no cartão com a posologia, mais uma das vermelhas, essa não é das oleosas pois não menina?
Que não, estas são para os ossos gastos, leio o nome do "artista", e deparo-me pela primeira vez com os Penetra Murcho.
-Senhor J. Penetra Murcho?
-Sim menina enfermeira, o próprio.
-E consegue?
-O quê menina?

Ainda hoje a freira enfermeira, se fustiga e benze, de cada vez que lhe entra o Sr J. Penetra Murcho na sala de pensos.
- Ai, louvado Coração de Maria, do que aquela filha de Satanás se lembrou de perguntar ao homem. Ai, Nossa Senhora das Cruzes Virgem mãe, meu Bom Jesus louvado, Santa Teresinha Imaculada, que só vocês conseguem dar-lhe tento na língua!

9 comentários:

  1. É pena que ele não fosse lisboeta em vez de alentejano.

    É que na minha terra há resposta para tudo. LoL

    Até para isso...

    ;-)

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  2. Ai Old, e tu sabes lá as respostas, que nós somos capazes de dar.
    O sr J. é que ficou como a freira, nem queria acreditar.
    ;-)

    Pirata, se fossemos de contar pelos dedos quem apenas merece, uma meia mão chegava.
    Mas deixa que já apertei um furo ao cilício.
    ;-)

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  3. ...mas consegue? devias ter aprofundado :):)

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  4. Mrf
    Não sou de aprofundar sexualidades de ninguém, embora tenha vindo a saber que o dito tinha 3 filhos ;-)

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  5. Ai JP
    :)))))))
    estes teus nomes e história dão muita pica.
    Muito obrigada! :)))

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  6. Claro que sei, JP.

    "I've been around..."

    ;-)

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  7. isso lembra a história da Alberta Sousa, que num dos seus poemas escrevia:

    Quando me penetra,
    Murcho
    Não me põe alerta
    Não me cai no buxo

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