quarta-feira, maio 30, 2007

Os meus tomates, e os tomates dos outros


Mandaram-me uns tomates. E não, não foi de Espanha, coisa que aliás acho uma parvoíce pegada, a luta dos tomates digo eu, foram reenviados ali do lado.

E agora que faço eu com três pares? Fitei-os à vez vendo-os a esticar e a encolher repletos de vontade própria e, enquanto lhe tomava o peso respectivo, lembrei-me disto.

A primeira vez que ouvi a expressão fulano de tal não tem tomates, deixou-me assim a modos a magicar no dito cujo que não os tinha, intrigada quanto baste para perguntar lá em casa se a história de não ter era uma anomalia adquirida á nascença, ou um acaso infeliz do destino, deve ser horrível decerto não os ter, e dói? Doer doía, mas era uma dor moral uma espécie de cobardia preguiçosa, em que não se tomam atitudes por falta de animismo ou desleixo.

– Ah! Pois estou a ver. E isso só acontece com os homens? Que não. Acontece a todos, homens e mulheres indistintamente, que a grande parte prefere não fazer a fazer o que quer que seja, embora depois passe a maior parte da vida a queixar-se do que não fez, do que lhe fizeram e do que deveriam ter feito.

- Mas as mulheres não têm tomates!

- Pois não, à primeira vista não. Mas essa expressão é antiga. Vem do tempo em que os animais falavam com as mulheres da casa, enquanto os varões andavam armados até aos dentes em quezílias hominídeas. Depois quando chegavam, coçavam demoradamente os ditos e gabavam-se pela noite fora dos feitos másculos.

-Oh avô, mas houve e há muitas mulheres de grandes feitos.

- Mas essas acabaram na fogueira, ou na descrença popular como mulheres homens. Qual é o macho que se preze que não se sinta injuriado por haver alguém sem tomates físicos, mostrar que sem eles consegue tomar trinta e tal decisões e atitudes numa hora sem espalhafatos?

-Isso é um disparate! Os tomates servem para a reprodução ou para serem mexidos com ovos.

-Isso, dizes tu menina, que já nasceste com eles.

E vai daí, embora dona de uns tomates hipotéticos, que ao longo do tempo me compraram bastantes dissabores, e embora ache a expressão pretensiosa, moralista e exclusivista, agradeço ao destino e à minha avô que por sinal os tinha bem grandes, o facto de ter sido gerada com o animismo suficiente, de forma a introduzirem-se com unhas e dentes na sequência de bases do meu ADN.

E agora tirem as conclusões que quiserem, e façam deles o que vos aprouver.

Bem hajam.

15 comentários:

  1. Não há grande espaço para criatividade nas conclusões tiradas. Beijos do alcoólico. ;)

    ResponderEliminar
  2. há sempre espaço para a dita cuja, alcoólico não anónimo
    beijoca

    ResponderEliminar
  3. Eu também acho que as conclusões tiradas podem ser pequeninas mas terem muita arrumação, ò Jota Pê (isto sem querer de forma alguma desmentir o Bagaço ou contrapor a sua posição).
    E pego na posição para encaixar um pingo de criatividade (podia chamar-lhe um assobio) neste comentário, dizendo que tê-los pode constituir um óbice para a posição ideal (podemos ver isto, por ex, na óptica do relacionamento sócio-profissional ou, sei lá..., no ballet, para fugirmos à conotação brejeira). Mas não os ter deixa-nos em péssima posição no caso de as visitas estarem a contar na refeição com uma prometida (fantasiada?) salada mista.
    Tudo isto pra dizer que hoje tou de greve no tasco e aproveito todas as ocasiões para soltar a verborreia.
    Beijinhos e abraços (inclusive prós... bagaços) :-)

    ResponderEliminar
  4. LOL! Bela tomatada, ó jp! ;-)

    ResponderEliminar
  5. tou a ver... isso dos tomates é hereditário! ;) parabéns por os teres grandes*

    ResponderEliminar
  6. Isabel Magalhães said...

    Com tantos pares vais fazer o quê?

    salsa pomodoro...

    ou compota? :)




    ***
    I.

    ResponderEliminar
  7. solta lá a verborreia shark que eu não me importo, embora ache que, o óbice para a posição ideal, é relativo, basta lembrares-te do sitio onde os toureiros os colocam dentro do fatinho ultrajusto.
    ;)

    ResponderEliminar
  8. Sopa de tomate à moda do deserto é do melhor, mar
    ;)

    ResponderEliminar
  9. Fábula
    é hereditário sim, e obrigado
    :)*

    ResponderEliminar
  10. Oh Isabel, passei o teu comentário cá para cima, ou arranjava-se aqui uma salada esquisita
    :)
    Compota parece-me uma boa, desde que leve nozes, mas a salsa pomodoro...deixa-me ainda mais na duvida
    **

    ResponderEliminar
  11. 2 tomates a passar a estrada , vem 1 carro .
    aiiiiii spgor
    ketchup

    ResponderEliminar
  12. claire pá, tu não existes
    :D
    :D

    ResponderEliminar
  13. JP:

    Essa das mulheres não terem "tomates" no sentido figurado do termo, já tenho visto muitas que os têm mais do que eles! Isto vai aqui uma tomatada dos tomates. eheheheheheh Um beijo
    ;)

    ResponderEliminar
  14. :)
    vai uma torrada com doce Soslayo?

    ResponderEliminar
  15. Tomato queen...!

    Com os outros fazes sumo nnum instantinho no teu liquidificar cerebral...


    Beijos

    CSD

    ResponderEliminar