sábado, fevereiro 04, 2006

Memórias


Arraiolos 29 de janeiro 2006 colecção particular

Carta para não me esquecer

Prezo saber que durante este entremeio não se manteve sentado.
A alma de qualquer coisa, está em nós que a compomos, no toque da mão na pedra, do cheiro daquela praça, dos sons alvorados dia.
Digo-lhe agora, que a minha cidade de pedras, aguarda silenciosa do outro lado do rio. Seca magia, ponteada de verde nas pedras musgo.

Agora branca na vergonha dos homens.

Não sou de criar raízes, mas polvilho-me de sementes por onde passo.
E num qualquer recanto em maré de saudade dor, planto-as e rego-as.
Voltarei a desandar numa última mirada para um qualquer braço de mar, e em castelos de areia abrirei seteias.

Tenho agora sete anos.
Os cabelos enrolados de algas e muitas sardas queimadas. Já não preciso da pá, que a areia escorre-me molhada por entre as pontas dos dedos pequenos. E no búzio poisado já guardei o som do mar.

O ronronar da gata, o sapato esquecido no corredor, a janela que se embaceia devagar, o pingue-pingue na torneira da cozinha, o barulho surdo do teclado, e tu sentado ali ao lado.

- Trazes-me um chá, e um Lisaspin? Obrigado.

15 comentários:

  1. quando as muralhas caem e revelam. mas ainda ficaram muitas pedras de pé. segredos guardados.

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  2. parabens!
    (se a fotografia é tua)
    esta imagem tem coisa de moirama. de alfange e de crescente; altaneira... reclama!

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  3. MRF,as pedras de pé nos segredos guardados,estão em Guadalupe conhecidos por Almendres ou Cromeleques
    nem sei de que mais pedras Vossa Senhoria falai ;-)

    Bin,:-)

    Pirata
    O dono da fotografia agradece.
    "Não sabe, ainda, o marquês que, em Portugal, dois dos seus filhos se posicionam contra D. João IV, passam para o lado espanhol, a sua própria mãe é aprisionada no Castelo de Arraiolos."
    Este Castelo remonta ao século XII, altura em que a povoação foi conquistada aos mouros por Geraldo Sem Pavor. Mandado construir por D. Dinis, foi edificada pelos Alcaides da Vila, foi edificada uma cerca em redor do castelo. Sofreu em 1640 algumas alterações a nível militar. Com a subida ao trono de D. João I, o castelo passou para a posse de D. Nuno Álvares Pereira. Da campanha de reconstrução do tempo de D. Manuel I, data o Paço fortificado." Com efeitos, documentalmente a distinta história de Arraiolos só começa em 1217, data do acto régio pelo qual D. Afonso II doou ao bispo eborense D. Sueiro a «herdade de Arraiolos», com permissão de erguer nela um castelo. Porém esta clausula, e sobretudo a qualificação que no diploma é atribuída ao território doado, corresponde a uma região mal povoada, de moradores dispersos, na qual se pretende criar um núcleo de povoamento a sombra duma edificação castrense; que ela estivesse praticamente despovoada é facto que de nenhum modo surpreende, visto que mesmo a eficaz resistência da vizinha Évora às assolações muçulmanas dos últimos tempos do século XII, deve ter ficado circunscrita a pouco mais do que o âmbito citadino.

    Não consta registo arqueológico de
    pertença a Mouros...mas é pena que continua torre altaneira.

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  4. maria
    na primeira metade do séc XII,o castelo de arraiolos (villa romana e depois uma cidade fortificada almorávida) estava em plena taifa de badajoz cuja fronteira norte se encontrava algures entre o tejo e o mondego, naquilo que é hoje portugal. só depois de 1050 o geraldes-convertido-em-heroi-nacional (era estrangeiro e bandoleiro!) terá feito uma primeira toma (que não sei se última) ao serviçode alfonso I , filho do conde anrique.
    (EM COMNETÁRIO APRESSADO, CLARO)

    (a doença da lavagem da história em nome da portugalidade falsa, não é?!)

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  5. O Henrique filho de Afonso, quererá dizer vossacelência.

    estrangeiro e bandoleiro ainda tem maior encanto,que de nobre se escudava em arredores de Yeborath, embora fosse Crutão e apenas Fronteiro-Mor” das terras cristãs ocupadas a sul do Tejo...
    e um tal de Gilbert of Hastings nomeado Bispo de Lisboa,nasceu nas campinas?
    e os cruzamentos da Urraca com o estupor do Ferdinand...
    e o tal de Afonso III que mandou às malvas a pobre seca Matilde de Bolonha, para procriar com a Castelense Brites,não deixou cá meio esrangeiros homens e mulheres do reino?

    Somos uma mistura de estrangeiros, brancos e pretos, ganhadores e perdedores.
    Se era bandoleiro o tal geraldo, se foi criado a bolotas ou a caldos de couve Castelhana tanto se me faz, como se me fez.
    Santas noites de história

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  6. Na guerra, as pedras são as flores nos caminhos devastados.
    Este post foi escolhido para estar no Plagiadíssimo.
    Passa por lá e fica bem.

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  7. obrigado Zeca, já por lá passo.
    ficam bonitas as palavras lá no teu sitio
    :-)

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  8. Gostei de te ler!
    Não conhecia.
    BShell

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  9. nem eu a ti BShellgaz
    Obrigado e volta sempre
    ;-)

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  10. Andas muito "memorial".
    Desculpa as ausências mas andei mesmo numa nervoseira e com falta de tempo. Fizeram-me um desafio e eu passei-to. Se quiseres...
    (estes teus textos estão lindos)

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  11. Eu sei mulher e não peças desculpas.
    É o 2º que me fazem, (desafio)vou pensar e logo te respondo ;-)
    (que raio de moda esta...)
    e obrigada :o)

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  12. tens toda a razão! aqueles de que gostamos são as pedras com que nos construímos.

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  13. Nem mais Marietree, nem mais.
    nem concebo a vida de outra maneira.

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